Etiqueta: Português

  • O artesão

    O artesão

    O artesão passa entre os seus dedos as palhas, o couro, a madeira, a farinha e os fios. O artesão deveria ser chamado de artemão, porque leva toda a arte nas mãos.

    No tear. LeleSorribas2013
    No tear. LeleSorribas2013
    Tecedora de palha. LeleSorribas2013
    Tecedora de palha. LeleSorribas2013
    Couro para as botas. LeleSorribas2013
    Couro para as botas. LeleSorribas2013
    Trabalhar a madeira. LeleSorribas2013
    Trabalhar a madeira. LeleSorribas2013
    Roca, a fiar a lã. LeleSorribas2013
    Roca, a fiar a lã. LeleSorribas2013
    Farinha, antes de se convertir massa. LeleSorribas2013
    Farinha, antes de se convertir massa. LeleSorribas2013
  • O Mário contou

    O Mário contou

    O mar continuava selvagem naquela costa do Atlântico. O sol batia com força sobre as peles já curtidas, mas o calor era abafador e fomos passear bem perto da água. Era o único método para sufocar o calor.

    Ao regressar às toalhas, depois do passeio de mais de 2 quilômetros, tínhamos companhia. Ao pé das nossas malas havia um rapaz estendido cara ao sol, mulato, olhos claros, cabelo rasurado, giro… só foi uma alucinação. Veio pedir o isqueiro para acender o cigarro e então vi que era mulato, olhos castanhos escuros, cabelo rasurado ou careca, normal. Depois duma primeira, houve uma segunda vez e pediu novamente o isqueiro, então começamos a conversar.

    Mário.

    O rapaz apresentou-se como actor. Gostaria no futuro ser actor de telenovelas. Agora estava sem emprego e por isso tinha aproveitado o tempo para ir mais à praia, mas aquilo não era assim tão fixe porque lhe faltava companhia.

    Primeiro erro: convidei-lhe vir sentar connosco.

    Mário só queria falar, não precisava de resposta, e cada vez que abria a boca só saiam asneiras.

    Por exemplo, os manequins não são giros.

    Estudar é uma perda de tempo porque quando fazes um curso ficas no desemprego. Ademais a gente não sabe fazer a escolha de curso e estudam coisas que já de antemão não têm futuro nenhum.

    O Mário também não gosta de trabalhos simples ou trabalhos de escritório, ele gosta é de aventura. Foi por esta causa que teve de deixar o primeiro emprego antes de cumprir a semana de prova, o trabalho era num call center:

    “E querem saber o que eu fazia ali? Ligava pessoas e mentia.”

    Ena! Jornalista! Ele não gosta de seguir as notícias, prefere que sejam outros a contar para não passar o trabalho de ter que ler um jornal ou ver na TV.

    Ah! Mas ele fez uma actuação na Escola de Teatro onde representava um apresentador de telejornal. Para construir a estória tinha de selecionar uma notícia real e inventar outra. O Mário escolheu uma notícia de um gangue que foi apanhado num assalto. A notícia inventada merece um parágrafo aparte.

    Inventou a detenção de Bin Laden. Bin Laden foi encontrado por 12 jovens aconchegado num poço na zona de Sesimbra. Os jovens voltavam de uma noite de festa, andavam na brincadeira e foram buscar água ao poço quando deram com Bin Laden lá dentro abraçado a sua arma (um kalashnikov). Um dos jovens ligou à polícia, mas nos escritórios da polícia tomaram aquilo na tanga. Para se fazerem crer os 12 jovens ligaram ao mesmo tempo à esquadra. Lá apareceu a polícia depois de 15 minutos. Não apanharam Bin Laden à força ou aos tiros, apanharam-no com uma rede de pesca. Ao dia seguinte os titulares rezavam assim: Bin Laden pescado num poço em Sesimbra.

    O Mário também quer uma tattoo, mas não sabe se dói e também pensa que são modas de gente com carências. A gente pensa que a tattoo é reflexo da sua personalidade ou de alguma coisa que o representa e ele não acredita nisso. Ele prefere fazer um escorpião nas costas porque é o seu signo do zodíaco, de 31 de Outubro, do dia das bruxas.

    Ui! Piercings é coisa que também acha moda de gente com pouca personalidade e não querendo comparar com drogas, pensa que quem leva piercing e tattoos acaba por ser deixado de lado. Essas pessoas são rebeldes, têm mala conducta, como os drogados.

    Da homossexualidade, Mário também tem opinião, ele gosta de mulheres e não se importa de ter amigos gays sempre que não tentem nada com ele e não lhe contem coisas estranhas.

    Tudo isto contou o Mário em meia hora que agüentamos nas toalhas. Quando por fim conseguimos meter três palavras no meio do seu monólogo dissemos:

    «Nós vamos almoçar!»

    Com um sorriso nos distanciamos da praia e sentamos no café do parque, já pensávamos que o assunto ficava resolvido… Mas o Mário voltou aparecer e sentou-se para almoçar juntos e continuar a monologar.

    …

  • Acordar/ Despertar

    Acordei, acordou o sol comigo
    Me desperté, despertó el sol conmigo

  • Hora do sono

    Hora do sono

    Hora do sono
    Hora da meia luz
    Hora da solidao
    Noite longa
    Noite que nos conduz
    Noite da escuridao

  • O conhecimento é chave na mudança económica. Domingos Santos

    Nem é novidade, nem é mentira, as nossas economias (a falar da galega e da portuguesa) encontram-se num momento de mudança. Há uns dias no Seminário “Território, desenvolvimento local e regional” oferecido pelo Centro de Investigação de Ciências Sociais na Universidade do Minho, o câmbio de paradigma económico apareceu na palestra como desafio.

     

    O professor do Instituto Politécnico de Castelo Branco, Domingos Santos, explicou da seguinte maneira: “actualmente, o novo  paradigma económico leva-nos da economia do hardware à economia do software, o qual significa que a chave está no acesso ao conhecimento. Existe uma grande necessidade de adquirir conhecimento e poder gerenciá-lo.”

    Mas, como é que isso se faz?

    O professor Domingos Santos propôs criar políticas para construir empresas mais inovadoras. Não obstante, o professor falou nas barreiras empresariais e políticas para tal iniciativa se pôr a andar.

    Para começar, as economias galega e portuguesa compõem-se principalmente de pequenas e meias empresas, e ainda são necessárias redes de cooperação; há muitas empresas que carecem de estratégias que apostem na inovação e falta diálogo entre ditas empresas e as universidades.

    Por outro lado, as políticas não estão a ajudar por serem feitas do topo para baixo. Também não confiam no networking e existem limitações nas administrações locais para receber projetos, propô-los ou geri-los.

    Mais ainda, o copy-paste não é solução, isto vem a dizer que nem todos os municípios devem arriscar com pólos tecnológicos à imagem do Silycon Valey, fazer enormes investimentos em sectores de ponta ou em ciência e tecnologia.

    O que verdadeiramente pode ajudar a um território a projetar um plano de futuro, que mude o paradigma econômico, é criar uma agenda e uma plataforma regionais, apostar numa dinâmica colectiva de aprendizagem, marcar objectivos prioritários e trabalhar em pró de uma política de inovação regionalizada.

    Em definitiva, unir forças das administrações, empresas e universidades face a um mesmo alvo e ter como eixo central a aprendizagem coletiva.

  • O capitão

    O céu, tão azul, veste os olhos de água
    O mar, antes rio, alonga-se nos fundos do océano
    O capitão ainda está a procura da Terra

    A Terra está em movimento,
    Até parece uma dançarina
    Se não for o vento que o puxa,
    Quem iria rumar ao capitão?

    O barco, caroço de pistacho, mantém a vela direita
    As ondas, batida após batida, teimam no seu intento
    O capitão mantém sempre a calma.

    A calma que a navegar não exite,
    E é ele que inventa.
    Se não for a imaginação que o alimenta
    Qual seria a realidade do capitão?

    O horizonte, linha trepidente, anuncia costa
    A beira, desconhecida, já é por ele amada
    Do outro lado, a costa antiga, já está quase esquecida

    A costa antiga morre en ciúmes,
    Ciúmes do vento que o empurra
    Se não for o vento que o puxa
    O capitão ainda estaria en Terra.